Os cícones em Ísmaro
O último pedaço de história ordinária da Odisseia. Odisseu sai de Troia, saqueia uma cidade trácia, perde setenta e dois homens no contra-ataque, e daí em diante quem manda é o vento.
No poema
A razia corre exatamente como razias correm: a cidade cai, o espólio é dividido “para que ninguém fique sem parte igual” e Odisseu manda zarpar. Eles ficam bebendo na praia. Os cícones do interior chegam ao amanhecer com carros, e morrem seis homens de cada nau.
Só uma coisa é levada e importará depois: o vinho dado por Máron, sacerdote de Apolo, poupado durante o saque. É a droga que fará o ciclope dormir.
Por que importa para o atlas
É a fronteira da Odisseia mapeável. Tudo antes de Ísmaro pode ser desenhado com confiança; depois do cabo Maleia, quase nada.
Teorias concorrentes
- Plausível
A costa trácia de Maroneia
Proposta por: Ancient identification of the Ciconian territory · Antiguidade
Um povo real num território real, com o nome preservado numa serra. O episódio se lê como razia comum, e é isso que torna a identificação comparativamente forte.
Ísmaro- ArqueologiaMaroneia and the Ismaros ridge, Thrace — the standard location of the Ciconian territory
- Texto primárioHerodotus, Histories 7.108-110 — the Thracian coast
O que se discute
Se a razia preserva a lembrança de uma guerra costeira egeia real, e o quanto a descrição do vinho reflete conhecimento da produção trácia.
Perguntas
- Onde fica Ísmaro?
- Na costa trácia, perto da atual Maroneia, onde uma serra ainda carrega o nome. O atlas classifica o lugar como plausível: a região é consensual, a cidade específica não está escavada.
- Por que este episódio importa?
- Porque é o último com localização defensável antes de as andanças começarem. Marca o ponto em que a confiança do atlas cai.
Fontes
- Texto primárioHomer, Odyssey (trans. A. T. Murray, Loeb, 1919)
- ArqueologiaMaroneia and the Ismaros ridge, Thrace — the standard location of the Ciconian territory
- Texto primárioHerodotus, Histories 7.108-110 — the Thracian coast