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O cavalo de madeira e a queda de Troia

O episódio mais conhecido da guerra não é narrado em nenhum dos dois poemas: a Odisseia faz um aedo cantá-lo em vinte versos. Sua localização é a mais segura do atlas; sua historicidade, a menos.

No poema

No canto 8 da Odisseia, na corte feácia, Demódoco canta o cavalo erguido na acrópole troiana, a discussão dos troianos sobre o que fazer com ele e os gregos saindo em massa para saquear a cidade. Odisseu, ainda anônimo entre seus anfitriões, chora e se entrega.

A narrativa completa pertencia a outros poemas do Ciclo Épico — a Pequena Ilíada e a Iliupersis —, que só sobrevivem em resumo. A Ilíada termina com o funeral de Heitor; o saque é sempre contado de viés.

Por que importa para o atlas

Ancora a guerra a uma acrópole concreta, de modo que a geografia não está em dúvida. O que não pode fazer é datar o acontecimento nem confirmá-lo: a pontuação do episódio é limitada pelo texto (um canto dentro de um poema) e pela arqueologia (uma camada de destruição compatível com um saque e com muitas outras coisas).

Teorias concorrentes

  • O cavalo como máquina de cerco ou navio

    Especulativa

    A sugestão de que o cavalo racionaliza um aríete coberto de peles, ou um navio com carranca de cavalo. É antiga, popular e infalsificável: nada na arqueologia de Troia se pronuncia a respeito.

    Troia (Ílion)
    • Texto primárioIliou Persis and Little Iliad (Epic Cycle)
    • ErudiçãoJoachim Latacz, Troy and Homer: Towards a Solution of an Old Mystery (2004)
  • A camada de destruição de Troia VIIa

    Proposta por: Carl W. Blegen (1958); Manfred Korfmann (1988–2005) · Moderna

    Plausível

    Troia VIIa termina em fogo e violência no século XII a.C., com sinais de aglomeração e armazenamento apressado intramuros. Que uma cidade foi destruída é prova; que uma coalizão liderada por um rei micênico a destruiu é inferência.

    Troia (Ílion)
    • ArqueologiaCarl W. Blegen et al., Troy: Excavations Conducted by the University of Cincinnati 1932–1938
    • ArqueologiaManfred Korfmann, Troia/Wilusa excavation reports, Studia Troica (1988–2005)

O que se discute

Se o cavalo é uma lembrança, uma metáfora, uma máquina de cerco racionalizada ou um motivo folclórico grudado a um cerco real. O atlas pontua o episódio em 7/12: confiança geográfica alta, acordo acadêmico baixo sobre o que de fato ocorreu.

Perguntas

O cavalo de Troia aparece na Ilíada?
Não. A Ilíada termina antes do saque. O cavalo aparece na Odisseia como canto do aedo Demódoco (8.499–520) e nas lembranças de Menelau e Odisseu (4.271–289; 11.523–532), e era narrado em detalhe nos poemas perdidos do Ciclo Épico.
A arqueologia confirma o saque de Troia?
A arqueologia confirma que Troia VIIa foi destruída por fogo e violência no século XII a.C. Não pode confirmar quem a destruiu nem por quê, e nenhum objeto liga essa destruição aos fatos que os poemas narram.

Fontes

  • Texto primárioHomer, Odyssey 8.499–520
  • Texto primárioIliou Persis and Little Iliad (Epic Cycle)
  • ArqueologiaCarl W. Blegen et al., Troy: Excavations Conducted by the University of Cincinnati 1932–1938
  • ArqueologiaManfred Korfmann, Troia/Wilusa excavation reports, Studia Troica (1988–2005)
  • ErudiçãoJoachim Latacz, Troy and Homer: Towards a Solution of an Old Mystery (2004)