Todos os lugares

A morada de Hades

MíticaSem localizaçãoNome(s) homérico(s): Ἀΐδαο δόμος · Ἔρεβος

Para onde Odisseu vai interrogar os mortos. O poema dá instruções de navegação até lá — e elas levam para além da borda do mundo, razão pela qual esta ficha não traz coordenada alguma.

As instruções de Circe são estranhamente precisas para um destino que não pode existir: cruzar o Oceano, encalhar junto ao bosque de Perséfone onde se juntam três rios com nome, cavar uma cova, verter as libações e os mortos virão. A precisão é justamente o ponto: são instruções rituais, não náuticas.

Lugares reais acumularam essa associação desde a Antiguidade. Heródoto menciona um oráculo dos mortos junto ao Aqueronte, na Tesprócia, e o sítio escavado em Éfira foi por muito tempo apresentado como esse oráculo, embora hoje a identificação seja contestada por arqueólogos que leem o edifício como uma fazenda fortificada.

São lugares reais com uma história de culto real. Não são a morada de Hades, e o atlas não finca um como se fosse a outra.

Identificações propostas

Sem coordenadas: este lugar não está localizado.

Por que esta classe

Mítica e não localizada: nenhuma hipótese é registrada, porque não pode haver. É a única classe do atlas que por regra não carrega coordenadas: o esquema proíbe que um lugar não localizado tenha alguma, de modo que nada pode ganhar um alfinete em silêncio mais tarde.

O que se discute

O que se discute não é a localização do Hades, mas a geografia da passagem: se as indicações de Circe preservam uma tradição náutica real rumo ao noroeste, se os rios vêm do Aqueronte tesprócio e se a Nekyia pertence sequer à camada mais antiga do poema.

Fontes

  • Texto primárioHomer, Odyssey 10.504–540; 11.1–50
  • Texto primárioHerodotus, Histories 5.92
  • ArqueologiaSotirios Dakaris, excavations at the Nekyomanteion of Ephyra, Thesprotia (from 1958)